segunda-feira, 11 de junho de 2012

LIÇÃO 12 - O JUÍZO FINAL



Comentário sobre Apocalipse 20.11-15
Extraído do Livro: Apocalipse Versículo por Versículo, de Severino Pedro da Silva (CPAD)
11. “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles”.

I. (“...UM GRANDE TRONO BRANCO”). Já tivemos ocasião de frisar em notas expositivas nos capítulos 2.13 e 20.4 deste livro, a palavra “trono” ou “tronos”. Ela, no grego, é (“thonos”). É usada no Novo Testamento com o sentido de “trono real” (cf. Lc 1.32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19.28; Lc 22.30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou governantes humanos (cf. Cl 1.16). O trono do presente texto, é grande! É de vastíssimas dimensões enchendo o campo inteiro de nossa visão; expulsa da vista todos os outros elementos. Ameaça; deixa a mente atônita. Trata-se de um infinito julgamento, diante do qual está que é finito: o pobre humano, morto. O trono é branco! Resplandece de pureza e de santidade, o que exije justiça! Castigo! Julgamento! Purificação! Retribuição! Tudo isso descreve uma cena fora da história humana! É o juízo Final!


12. “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida: e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”.

I. “...grandes e pequenos”. O Filho se assentará juntamente com o Pai, em seu trono, para julgar. Mas o Pai é quem figura majestaticamente em todas as seguintes referências: (At 17.31; Hb 1.3; Ap 4.2, 9; 5.1, 7, 13; 7.10; 19.4; 21.5), e por meio de Jesus todos ali serão julgados (Jo 5.22). Duas classes de seres, ali serão julgados: “...os grandes” (os anjos caídos). 2Pd 2.4; Jd v.6, e os “...pequenos” (os homens em sentido geral). Sl 8.5; Hb 9.27. Todos ali “...postos em pé” diante do trono. Fica assim subentendida no expressivo a “segunda ressurreição”, isto é, dos incrédulos (20.5).
1. Os mortos foram julgados. Entre os muitos julgamentos ou juízos mencionados na Bíblia, sete têm significação especial, como é descrito por C. I. Scofield em seu SCOFIEL REFERENCE BIBLE:
(a) O julgamento dos pecados do crente na cruz de Cristo. Jo 13.31. Ele foi aí justificado porque Cristo, havendo levado os seus pecados sobre a cruz, foi feito por Deus justiça. 1Co 1.30:
(b) O crente julgando-se a si mesmo, para não ser julgado com o mundo. 1Co 11.31:
(c) O julgamento das obras dos crentes diante do Tribunal de Cristo, logo após o arrebatamento. Rm 14.10; 1Co 3.12; 2Co 5.10:
(d) O julgamento das nações vivas, na “parousia” de Cristo com poder e grande glória. Mt 25.32 e ss:
(e) O julgamento de Israel, na volta de Cristo. Ez 20.33 e ss; Mt 19.28, etc.
(f) O julgamento descrito por Paulo em 2Tm 4.1, que se dará “...na sua vinda e no seu reino”.
(g) O julgamento do “Grande Trono Branco” aqui mencionado nesta secção (20.11-15)

13. “E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras”.

I. “...deu o mar os mortos que nele havia”. Estes mortos saídos do mar, são aqueles que foram tragados na hecatombe provocada quando “... desceu fogo do céu”. (v. 10); Eles não passaram pela ação “intermediária” do Hades, visto que concomitantemente foi estabelecido o juízo final. João observa que não necessário no julgamento um anjo assistente “abrir” os livros. Eles se abriram movidos por uma força sobrenatural emanada do supremo Juiz: observe-se a frase: “...e abriram-se os livros...” (v.12). Podemos observar a exposição excepcional do versículo 15 desta secção, ela demonstra um julgamento individual, confirmando o versículo 13: “...e foram julgados (“cada um”) segundo as suas obras”. Deus julgará cada um segundo as suas obras”. Deus julgará cada um segundo as suas obras, porque no inferno há também grau elevado de sofrimento (Ez 32.21-23; Hb 10.29); após uma acurada investigação do Justo Juiz, nas obras, feitos, motivos, memória e consciência, confrontando tudo com o que está escrito em cada livro (Jo 12.48). Ali agora só há uma sentença: “Apartai-vos de mim!”. Alguém se estremecerá, mas ali não haverá margem para erro, para indecisão, equivoco ou modificação.
1. Existe uma pergunta no meio da cristandade e até fora dela baseada nos versículos 11-15 que termos nesta secção: (“como serão julgados aqueles que morreram sem ouvir o Evangelho?”). Essa pergunta quando dentro da lógica da visualização do homem pode ultrapassar qualquer possibilidade de entendimento da mente humana. Mas é evidente que, Deus tem falando e vem falando ao homem de “muitas maneiras” (Hb 1.1). Paulo diz que o Evangelho foi “pregado a toda criatura que há debaixo do céu” (Cl 1.23). Deus pode alcançar através de seus métodos a todos os homens; vejamos alguns dos métodos de Deus:
(a) DEUS fala através do Universo: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento (“anuncia”) a obra das suas mãos... Sem linguagem, sem (“fala”), ouvem-se as suas vozes, em (“toda a extensão da terra”), e as suas palavras até ao fim do mundo”. Sl 19.1-4:
(b) DEUS fala através da percepção: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles (nos homens) se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder... se entendem, e claramente se (“vêem”) pelas coisas que estão criadas, para que eles (os homens) fiquem inescusáveis”. Rm 1.19-20:
(c) DEUS fala através da consciência: “Porque, quanto os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei. Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, que acusando-os, quer defendendo-os; no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo”. Rm 2.14-16:
(d) DEUS fala através da vida dos animais: “Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; às aves dos céus, e elas to farão saber; ou fala com a terra; e elas to ensinará até os peixes do mar to contarão. Quem não entende por todas estas coisas que a mão do Senhor fez isto?”. Jó 12.7-9:
(e) DEUS fala através dos meios geográficos: “...Deus anuncia agora a (“todos os homens”), e em (“tudo o lugar”), que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo...”. At 17.30-31:
(f) DEUS fala através dos sonhos: “Antes Deus fala uma e duas vezes, porém ninguém atenta para isso. Em sonho ou visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama. Então (“abre os ouvidos dos homens”), e lhes sela a sua instrução. Para apartar o homem do seu desígnio, e esconder do homem a soberba; Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada”. Jó 33.14-18:
(g) DEUS fala através dos anjos: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar (“aos que habitam sobre a terra”), e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo”. Ap 14.6:
(h) DEUS fala através de seu Filho: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Hb 1.1:
(i) DEUS fala através de sinais e milagres: “Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo...”. Hb 2.4a. Perguntamos agora: havendo Deus falado tanto e de muitas maneiras, chegará alguém inocente diante do Grande Trono Branco? (Êx 34.7). Segundo se depreende do significado do pensamento, aqueles que não viveram de acordo com a (“FÉ”). Rm 4.5-6; Hb 10.38; serão ali julgados de acordo com as (“OBRAS”). Jn 3.10. Deixemos o assunto com o Senhor – O Justo Juiz (Dt 29.29; Rm 4.15).

14. “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo: esta é a segunda morte”.

I. “...foram lançados no lago de fogo”. Naturalmente, é provável que este versículo seja o cumprimento real, daquilo que profetizou Is 25.8, e citado por Paulo em seu argumento sobre a ressurreição, em 1Co 15.26, onde é descrito que o “...último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”. Isso significa um triunfo total de Cristo e dos santos. A morte, como aliada do pecado, será destruída juntamente com o pecado; o Hades não envolverá mais terrores, para os santos nos céus. Não haverá mais temor da morte (Hb 2.15) ela não existirá (21.4). O ciclo temível do juízo agora está completamente terminado. O Anticristo e seu consorte já haviam sido lançados no lago de fogo (19.20). Satanás sofreu essa mesma sanção (20.10). Agora a morte e o inferno, são ali lançados. E no versículo 15, chegará a vez dos perdidos. É realmente a sorte dos ímpios, e todas as gentes que se esquecem de Deus (Sl 9.17). Os anjos maus foram também ali lançados (Mt 25.41).

15. “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

I. “...aquele que não foi achado escrito”. É evidente que os salvos, que comparecerão diante do trono branco, cujos nomes “se encontram no livro da vida”, não é a Igreja (isso não afasta a possibilidade de ela estar presente, mas não para ser julgada, e, sim, tomar parte no julgamento), e sim, aqueles que foram fiéis a Deus durante o Reino Milenial de Cristo. “Diante do Trono Branco estarão multidões incalculáveis que, durante o Milênio, creram em Jesus e foram fieis, e permaneceram até o fim. Quando Satanás, pela última vez, rebelou-se contra Deus, esses não o acompanharam e, agora, estão diante do Trono Branco, sabendo que seus nomes estão no Livro da Vida”.
1. O Lago de Fogo. É este o lugar onde o bicho não morre e o fogo nunca se apaga. (Cf. Mc 9.46). “A palavra hebraica que descreve este lugar, como no Antigo Testamento, é “Tofete” (Is 30.33; Jr 7.31-32). Mas a palavra grega é “Geena” (Mt 5.22, 29, 30; 10.26; 23.14, 15, 33). “Geena” refere-se literalmente ao “Vale do filho de Himom”, vale, este, fora da cidade de Jerusalém que servia de Monturo da cidade e onde queimavam seus filhos em sacrifícios a Moloque, o deus pagão. Jesus empregou o termo “Geena” 11 vezes, sempre no sentido literal. Ali sempre havia fogo aceso, servindo desta maneira para figurar o Lago de Fogo que arde eternamente. A palavra encontra-se em Mt 5.22, 29, 30; 23.15, 33; Mc 9.43, 45, 47; Lc 12.5; Tg 3.6. Em cada caso, com exceção do último, a palavra sai dos lábios do Senhor Jesus em solene aviso das conseqüências do pecado. Ele descreve como o lugar onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. A expressão é idêntica à que temos aqui: “o lago de fogo”.

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