sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Quem era Teófilo?

Ambos os escritos, tanto o evangelho de Lucas quanto os Atos dos Apóstolos, foram dedicados à mesma pessoa. Considerando que em Lc 1.3 Teófilo é considerado e interpelado como “excelentíssimo Teófilo” (o título “excelentíssimo” era usado naquele tempo para senadores e cavaleiros - clarissimus -, como os procuradores romanos Félix, em At 23.26; 24.3, e Festo, em At 26.25), ele parece ter sido um homem renomado. 

O teólogo Zahn traduz a interpelação com “excelência”. A dedicatória a Teófilo evidentemente não exclui a possibilidade de que esses livros desde já visassem um grande círculo de leitores. Assim como hoje, também na Antigüidade dedicava-se livros a determinadas pessoas. 

Onde vivia Teófilo? O país em que devemos localizar Teófilo depreende-se da percepção de que Lucas considera necessário explicar lugares, costumes e peculiaridades palestinas, cretenses, atenienses e macedônias,

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE "ATOS DOS APÓSTOLOS"

Extraído do Novo Comentário da Bíblia, Editado pelo Prof. F. Davidson


INTRODUÇÃO

O livro dos Atos é continuação do terceiro Evangelho, escrito pelo mesmo autor, Lucas, o médico amado e companheiro do apóstolo Paulo (cfr. #Cl 4.14). A evidência externa de vários escritores, do segundo século em diante, é unânime e suficiente sobre este ponto, e a evidência interna do estilo, perspectiva e assunto dos dois livros é igualmente satisfatória.

Atos, como o terceiro Evangelho, é dedicado a um certo Teófilo (cfr. #Lc 1.3
com #At 1.1). O terceiro Evangelho é o "primeiro tratado", como se lê na sentença inicial de Atos. Teófilo parece ter sido pessoa de certa distinção, à vista do tratamento que

A IGREJA PRIMITIVA

Em sua inteireza o Novo Testamento pode ser chamado, em certo sentido, de a literatura da Igreja Primitiva. Além disso, naturalmente, é a revelação que tem a autoridade de Deus bem como a norma da fé e da prática cristãs; porém, no que tange a nosso presente propósito, devemos considerar o Novo Testamento como uma coleção de documentos históricos da qual podemos derivar informação referente aos primórdios da Igreja Cristã. É verdade que os Evangelhos raramente mencionam a Igreja. Não obstante, explicam como ela veio a existir mediante a pregação de Jesus Cristo. Além disso, contém o que Seus discípulos originais julgaram importante relembrar a respeito de seu Senhor, e o que transmitiram, primeiro oralmente e então em forma escrita, aos seus seguidores. Não são meramente biografias, no sentido moderno da palavra. Mas são obras que visam a edificação dos crentes. Até mesmo Lucas, que teve mais interesse e dá mais material biográfico que os outros, e que talvez tenha escrito para um público mais geral, se preocupa em esclarecer aqueles fatos que "entre nós se cumpriram" (#Lc 1.1), e que "nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio" (#Lc 1.2). O que Jesus fez e ensinou, obviamente era a porção mais importante da instrução cristã, e a preservação e

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Lição 12 - QUANDO O CRENTE NÃO ORA

Texto Áureo: Js. 9.14 – Leitura Bíblica: Jn.1.1-5,11,12,13


Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Despertar os alunos para os riscos da falta de oração na vida dos crentes e os resultados que essa ausência pode resultar.

INTRODUÇÃO
Orar é um mandamento bíblico, mas é também uma necessidade. Como disse certo pensador, a apostasia começa pelos joelhos. A oração é para a alma o que o oxigênio é para o corpo. A partir de tais assertivas, estudaremos, na lição de hoje, sobre o perigo de deixar de orar. A princípio, meditaremos na situação de Jonas, que, ao invés de orar, resolveu agir, sem a direção de Deus. Em seguida, mostraremos quais são alguns

Problemas do Cristão: Falta de Oração

1.Falta de fé
Esse é o primeiro ponto e dentro dele tem algumas coisa que devem ser frisadas: as pessoas não oram por que não têm fé. Simplesmente algumas pessoas não vão a Deus por que não creditam que Deus possa fazer alguma coisa por elas. O Deus delas é um Deus distante, fruto do imaginário humano e ELE está lá, enqunto nós estamos aqui.
Mas veja o que a Palavra diz:
"Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte."  (Tiago 1 : 6)

Entende o que isso signfica? Não? Vou desenhar.
Quano vamos a Deus com  suplicas e duvidamos do que ELE pode fazer. Em um dado momento estamos felizes por que oramos, pedimos e “Deus é fiel”, como muitos dizem. Em outro dado momento quando as circunstancias nos assolarem vamos olhar pra cima e dizer: “quer saber, eu acho que Deus nem ouviu a minha oração!”. Vou orar de novo e pedir a mesma coisa.
Lindooosss, lindaaasss. Saca só:
"E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos."  (Mateus 6 : 7).
As vãs repetições são o que a Biblia chama de falta de fé. Se você crer em Deus sabe que não há nacessidade de pedir n vezes aquilo que você já pediu. Orou, creu, será dado. Obviamente, de acordo com a vontade DELE. Por isso sempre peça pra que ELE faça a vontade DELE que é boa e agradável. A sua vontade pode lhe trazer prejuizos enormes. Mas não quero entrar nessas questões. Falta de fé desagrada a Deus.
"Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam". Hb 11:6.

2. Preguiça física e Mental

É incrível como temos disposição para fazer tudo, até ficarmos na internet tarde de noite, mas quando se trata de orar e ler a Bíblia o mundo para, o corpo cansa, a mente tá fadigada e acabamos não fazendo as coisas que mais deveriam ser prioridade em nossa vida.
Deus tem descanso pra nos dar, paz, alivio:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."  (Mateus 11 : 28).

Prestou atenção no detalhe: Vinde! Nós temos que ir à fonte, nós temos que nos esforçar para descansarmos. Nós vamos e ELE nos alivia, nos faz descansar.

Sendo assim: é necessário sairmos do comodismo e termos fé. 
Bye.

O Pássaro e a Oração


Você já viu um passarinho dormindo num galho ou num fio, sem cair ? Como é que ele consegue isso ? Se nós tentássemos dormir assim, iríamos cair e quebrar o pescoço. O segredo está nos tendões das pernas do passarinho. Eles são construídos de forma que, quando o joelho está dobrado, o pezinho segura firmemente qualquer coisa. Os pés não irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho para voar. O joelho dobrado

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

LIÇÃO 11 - A ORAÇÃO QUE CONDUZ AO PERDÃO

SALMO 51. A ORAÇÃO DE UM PENITENTE
A declaração explícita do título associa este Salmo com a notável acusação de Natã contra Davi (#2Sm 12.1-13). Como expressão de um coração dominado pela vergonha, humilhado e alquebrado pela culpa, ainda que salvo do desespero mediante a fé penitente na misericórdia de Deus, este poema é inigualável. Os vers. 18 e 19 parecem ter sido adicionados alguns séculos depois da época de Davi. Pressupõem um tempo quando os muros da cidade foram derrubados, quando os sacrifícios cessaram (cfr. #Ne 1.3; #Sl 102.16,17; #Sl 147.2). É possível que, após a volta do exílio, este Salmo tenha sido adaptado para ser usado como confissão dos pecados nacionais, e que esses dois versículos tenham sido adicionados para que o poema se tornasse mais próprio para a adoração pública.

a) Convicção de pecado (1-8)

É necessário relembrar que, imediatamente após Davi ter feito confissão de seu pecado, o profeta Natã declarou que o Senhor o perdoara. Conseqüentemente este Salmo, presumivelmente composto nas horas que se seguiram, começa com a consciência da misericórdia de Deus-abundante, amorosa e sem limites. O salmista dá-se conta de uma verdadeira multidão de compaixões divinas e, em particular, de uma promessa de perdão espantosamente grande e preciosa, a respeito de um gravíssimo erro (#2Sm 12.13); porém, ele não pode depender disso enquanto a confissão plena e de todo coração não tiver sido feita, e essa é justamente a função do poema. A convicção de pecado, em Davi, é dominada por três temas:

>Sl-51.3

1. UM INESCAPÁVEL SENSO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL. Note-se a freqüência de minhas transgressões, minha iniqüidade e meu pecado. Ele não procura fugir à sua responsabilidade, aqui, baseando-se no acaso das circunstâncias ou em algum desejo instintivo; não culpa a ignorância, a necessidade ou alguma agência má; nenhuma tentativa é feita para que Bate-Seba compartilhe do pecado de adultério e assassinato, sobre a suposta base de sua aquiescência ou sugestão. O erro cometido foi da responsabilidade de Davi, e essa convicção é sublinhada nas palavras o meu pecado está sempre diante de mim (3; cfr. #Sl 32.3-4).

Sl-51.4

2. UMA INDUBITÁVEL CONVICÇÃO DE TER-SE VOLTADO CONTRA DEUS. Sem levar em consideração Bate-Seba e Urias, sua ação, em última análise, foi contra Deus. Contra ti, contra ti somente pequei (4). Toda má ação, afinal de contas, é contra a santidade de Deus, e, portanto, má aos Seus olhos (cfr. #Gn 39.9). Parece mal (4); melhor ainda, "é mal". O salmista fazia uma confissão sem reservas de sua culpa (3-4) a fim de que, quando Deus pronunciasse julgamento contra o pecador, Ele estivesse acima de qualquer insinuação satânica de capricho, severidade ou preconceito da parte de Deus (cfr. #Zc 3.2; #Jó 2.3).

3. UM APAIXONADO APELO PARA SER COMPLETAMENTE PURIFICADO DO PECADO. As frases aparecem amontoadas em veemência e fervor. Apaga (1); isto é, obscurece como por uma espessa nuvem (#Is 44.22) ou uma dívida é anulada mediante pagamento. Alternativamente, pode ter o sentido de "apagar", isto é assim como quando um escrito era removido de um tablete de argila (#Êx 32.32), como a água era removida de um prato (#2Rs 21.13), ou como uma pessoa é removida da terra (#Gn 7.4). Lava-me completamente (2); isto é, tira a mancha; purifica-me (2) como um leproso é declarado puro mediante a lavagem (#Lv 14.8-9).

Sl-51.5

Em pecado me concebeu minha mãe (5). Isso não deixa subentendido que uma disposição pecaminosa lhe tivesse sido transmitida porque o ato físico da concepção fosse pecaminoso em si mesmo. Este versículo simplesmente significa que, sendo membros da raça humana, estamos inexplicavelmente envolvidos na realidade do pecado. A palavra "formado" seria melhor traduzida como "nascido" ou "dado à luz". Cfr. #Sl 139.13-16; e notar a impecabilidade de nosso Senhor, nascido de uma mulher. O duplo eis (5-6) indica dois fatos que impressionaram profundamente o salmista, e que ele deseja que os outros observem.

>Sl-51.6

Nos vers. 6-8 a intensidade da convicção e do desejo de Davi é fortalecida ainda mais por uma recapitulação das idéias anteriores, havendo ênfase sobre a terceira-a da necessidade de purificação. Primeiramente, a misericórdia e a compaixão de Deus (ver vers.
1) estão relacionadas ao Seu desejo de encontrar a verdade e a sabedoria estarem ocultas no íntimo (6). Mediante a mesma a verdade é impedida de afastar-se dEle. Em segundo lugar, a necessidade de ser lavado e purificado (2; cfr. #Jo 13.8-10) é refletida na necessidade de ser aspergido com hissope purgador (cfr. #Nm 19.6) e ser tornado mais puro e mais branco que a neve(cfr. #Is 1.18). Em terceiro lugar, o desejo de conhecer e de participar da Santidade de Deus e de submeter-se a Seu reto juízo (4) é renovado e expandido como uma oração. Nesta é solicitado o sentimento de alegria por ouvir a palavra de perdão de Deus e pela cura de toda angústia e aflição íntimas.

Sl-51.9

b) Aflição, e o anseio pela santidade (9-14)

O conceito adicional de pecado como separação entre o homem e Deus é então introduzido com sua ênfase dupla de angústia em vista da possibilidade de ficar fora da presença de Deus para sempre e de ser privado de Seu Santo Espírito (cfr. #1Sm 16.14), e um desejo pela saúde moral, um registro limpo, um novo coração e um espírito reto. Note-se como ele abominava a solidão (11) que foi algo excepcionalmente temido por Davi, visto sua larga e sensível simpatia para com as outras pessoas. Ele percebeu que, quando qualquer homem peca, não se trata meramente de um ato contra Deus, mas isso leva o próprio indivíduo na direção das trevas exteriores e da desgraça. Essa é a miséria egoística do inferno.

O arrependimento implica na deslocação dos desejos pecaminosos, e o salmista agora expande o positivo aspecto de sua experiência. Ele roga pela restauração da alegria para com Deus, a qual lhe fora furtada pelo pecado, e por um espírito voluntário para que sempre pratique o bem voluntariamente (12). Caso lhe sejam concedidas essas coisas, ele ficará tão aliviado e transformado que os outros pecadores poderão ser convincentemente exortados a, semelhantemente, voltar-se em arrependimento para um Deus tão gracioso (13). Além disso, se ele puder ser libertado da culpa de sangue no tangente a Urias, sua língua nunca cessaria de proclamar a fidelidade de Deus, que proporciona o verdadeiro perdão a todos os penitentes (14).

Sl-51.15

c) Verdadeira adoração (15-19)

Como repetindo tal louvor público, o salmista dá início a um cântico de expectante adoração. Seus lábios, por si mesmos, só podiam fazer confissão do erro e petição por misericórdia; porém, se Deus se dignasse falar por intermédio deles, então pronunciariam os Seus louvores. Tais louvores estabeleceriam a natureza de Deus, ou seja, que Ele tem pouco interesse e nenhum deleite nas formalidades exteriores da observância religiosa; o ritual dos sacrifícios com grande facilidade poderiam ser interpretados pelos seus praticantes como um processo de aplacamento (cfr. #Sl 50.8 e segs.). Os sacrifícios para Deus (17), isto é, aqueles que Ele aceita, são o culto de um coração contrito, livre de toda obstinação e humilde por seu próprio auto-oferecimento (cfr. #Rm 12.1-2; #Hb 9.14; #Hb 13.15).


Fonte: O Novo Comentário da Bíblia (Editora Vida Nova)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lição 10 - O Ministério da Intercessão

Queridos irmãos estamos chegando no último mês deste trimestre, e já podemos perceber como o Senhor tem despertado sua Igreja para o buscar em oração. É maravilhoso como, após estudarmos estas lições nós passamos a ver o quanto precisamos ser aperfeiçoados como cristãos.

Abaixo deixo algumas sugestões de leitura na internet que poderão ajudar na preparação da aula para o próximo domingo, um abraço a todos!

O Poder da Oração Intercessória - Michelson Borges


O PODER DA ORAÇÃO INTERCESSÓRIA - 08/12/2002 (Lição 10/4º Trimestre de 2002)


A oração de Jeremias


O que é oração intercessória

O Poder da Intercessão - Pr. Geraldo Carneiro Filho

sábado, 20 de novembro de 2010

Aprendizagem Cooperativa

No passado, aprender significava apenas memorizar. A partir do século XVII, Comenius ampliou e atualizou este conceito. Para o “pai da didática moderna”, aprender implica, primeiramente, compreender; depois, memorizar e por fim aplicar o conhecimento recebido. Hoje, sabe-se que aprender é um processo lento, gradual e complexo. Não significa somente acumular dados na memória, mas adaptar-se satisfatoriamente às mais diversificadas situações da vida, evidenciando mudança de comportamento.  Conforme lecionou Anísio Teixeira, ilustríssimo educador brasileiro, “fixar, compreender e exprimir verbalmente um conhecimento não é tê-lo aprendido. Aprender significa ganhar um modo de agir”. 

O aluno aprende cooperando com o outro 


O professor que incentiva a participação dos alunos em sala de aula promove a “aprendizagem cooperativa”, ou seja, a troca de experiências. Professores e alunos ajudam-se mutuamente, como parceiros no processo de ensino-aprendizagem.

Portanto, aprendizagem cooperativa ou colaborativa é um processo pelo qual os membros de um determinado grupo ajudam e confiam uns nos outros a fim de atingir um objetivo combinado. A sala de aula é um excelente lugar para desenvolver as habilidades de criação de um grupo.

O professor deverá enfatizar o ensino e a aplicação de estratégias de cooperação entre os alunos. O ponto de partida é reconhecer que os estudantes aprendem não apenas com o professor, mas também uns com os outros. Na Escola Dominical, isso pode ser verificado por meio de várias atividades sugeridas pelo professor, tais como trabalhos de grupos, estudos de casos ou discussões. De acordo com o que lecionou o educador americano John Dewey, “aprendemos quando compartilhamos experiências”.

O professor deverá criar situações que provoquem e estimulem a cooperação, proporcionando experiências que envolvam interação direta, dependência mútua e responsabilidade individual. Será necessário ainda, enfatizar a aprendizagem e o exercício das aptidões indispensáveis à cooperação, como a habilidade de escutar, falar, e ajudar-se mutuamente. 

Características da aprendizagem cooperativa 


A aprendizagem cooperativa é interativa. Como membro de um grupo o aluno deve:

a) Compartilhar um objetivo comum;

O ideal é que os próprios alunos escolham ou participem da escolha do tema do trabalho a ser desenvolvido em sala de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.  Se eles participarem da escolha do tema, é certo que também terão em mente as razões que os levarão à conclusão do trabalho. Os objetivos têm de ser partilhado com todos. 

b) Compartilhar sua compreensão acerca de determinado problema;

Às vezes, de onde menos se espera é que vêm as melhores idéias, pensamentos e soluções. Há alunos que são quietos, sossegados por natureza. Quase não se ouve a voz deles, quase não se percebe sua presença na sala de aula, mas... de repente... mostram-se inteligentes, geniais, especiais. Trata-se do tão falado insight. Aquela idéia maravilhosa, compreensão clara e repentina da natureza íntima de determinado assunto, que nos vem sem que sequer percebamos. Todas as idéias, insights e soluções, devem ser compartilhados, independente de quem os tenha.  

c) Responder aos questionamentos e aceitar os insights e soluções dos outros;

Nem sempre estamos preparados para aceitar as opiniões e contribuições dos outros. Imaginamos que somente nós temos boas idéias, e pensamentos dignos da consideração do grupo. Isto é, o que o outro pensa ou sabe a respeito do tema que está sendo tratado, na nossa consideração, é insipiente, incompleto ou até mesmo irrelevante. 

Este tipo de comportamento é prejudicial ao relacionamento do grupo e ao resultado final do trabalho, embora seja comum em nossas classes.

d) Permitir aos outros falarem e contribuírem, e considerar suas contribuições;

Tanto o professor quanto o aluno, jamais poderão desprezar ou desconsiderar a cooperação de qualquer pessoa que seja. Pois, todos possuem saberes, informações e experiências para compartilhar.

e) Ser responsável pelos outros, e os outros serem responsáveis por ele;

No trabalho de grupo, ao mesmo tempo em que cada um é responsável por si e por aquilo que faz, também o é pelos outros e pelo que os outros fazem. A responsabilidade do resultado do trabalho é de todos.

f) Ser dependente dos outros, e os outros serem dependentes dele. 

No trabalho de grupo, todos dependem de todos. Não há espaço para individualismo ou estrelismo. O trabalho de grupo é como uma edificação. Todos constroem sobre o que outros já construíram. 
 
O aluno aprende por meio da interação em sala de aula

Na interação entre professores e alunos, supõe-se que os mestres ajudem inicialmente os estudantes na tarefa de aprender, visto que esse auxílio logo lhes possibilitará pensar com autonomia. Para aprender, o aluno precisa ter alguém ao seu lado que o acompanhe nos diferentes momentos de sua aprendizagem, esclareça suas dúvidas, ajudando-o a alcançar um nível mais elevado de conhecimento. 

Por meio da interação estabelecida entre o professor e o aluno, constrói-se novos conhecimentos, habilidades, competências e significações.

Cabe ao professor conhecer seus alunos profundamente, a fim de familiarizar-se com os modos por meio dos quais eles raciocinam. Conhecendo bem o pensamento dos alunos, o mestre estará em condições de organizar a situação de aprendizagem e, sobretudo, interagir com eles, ajudando-os a elaborar hipóteses a respeito do conteúdo em pauta, mediante constante questionamento. Desta forma, os estudantes poderão, aos poucos e com os próprios esforços, formularem conceitos e noções da matéria de estudo.

Os comportamentos do professor e dos alunos estão, portanto, dispostos em uma rede de interações que envolvem comunicação e complementação de papéis, onde há expectativas recíprocas. Nessas interações é importante que o professor se coloque no lugar dos alunos para compreendê-los (empatia), ao mesmo tempo em que os alunos podem conhecer as opiniões, os propósitos e as regras que seu mestre estabelece para o grupo.

Na interação há constantes trocas de influências. O professor, a cada momento, procura entender as motivações e dificuldades dos aprendizes, suas maneiras de sentir e reagir diante de certas situações, fazendo com que as interações em sala de aula continuem de modo produtivo, superando os obstáculos que surgem no processo de construção partilhada de conhecimentos. Assim, comportamentos como perguntar, expor, incentivar, escutar, coordenar, debater, explicar, ilustrar e outros podem ser expressos pelos alunos e pelo professor numa rede de participações onde as pessoas consideram-se reciprocamente, como interlocutores que constroem o conhecimento pelo diálogo.

Marcos Tuler é pastor, pedagogo, escritor e reitor da Faculdade Evangélica de Tecnologia, Ciências e Biotecnologia - FAECAD.
Fonte: http://www.cpad.com.br/escoladominical/posts.php?s=51&i=432

Homilética para professores da Escola Dominical

A atividade docente na EBD tem sido marcada por uma exigência cada vez maior por parte dos alunos quanto a qualidade não só do conteúdo da aula, mas também quanto a maneira com que esta aula é desenvolvida e aplicada. A homilética vem exatamente prover meios para que tais exigências sejam atendidas.
Homilética é a ciência, arte e técnica de pregar e ensinar mensagens religiosas, sacras ou cristãs. Seu objetivo principal, desde seus primórdios na Mesopotâmia cerca de 3000 a C, quanto ao seu uso na igreja a partir do século 
IV d C, foi o de orientar pregadores e mestres na dissertação de seus discursos e ensinos, através de princípios, fazendo simultaneamente que despertassem e tivessem uma idéia dos erros e falhas que cometiam.

Dez processos para preparação de uma aula da EB

“E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes”. Tiago 1.22b
Lecionar no ensino bíblico é um verdadeiro desafio para qualquer professor que deseja ver em seus alunos transformações significante, geradas pelo poder da palavra de Deus, entretanto para que isso ocorra e propicie resultados espirituais, o professor deve preparar bem a sua aula, do começo ao fim.
Analisaremos 10 itens relevantes para que o professor possa se basear durante á preparação de sua aula, tais como:
1. Preparo espiritual:  É de sua importância o professor separar um tempo no decorrer da semana para oração e consagração, no intuído de Deus lhe conduzir com sabedoria e discernimento bíblico durante o preparo da aula.
2. Interseção: É fundamental o professor interceder pelo pastor, o Gestor da EB, e principalmente pelos seus alunos e seus familiares, para que todo impedimentos e ciladas satânicas sejam aniquilados pelo poder de Deus.
3. Leia o material: O professor deve ler toda revista todos os dias, em sintonia com as passagens bíblicas, em prol de obter uma dimensão da temática da aula, e possíveis formas para ministra – lá.
4. Material de apoio: Durante o processo de elaboração da aula, o professor se depara com muitos termos bíblicos e passagens geográficas desconhecidas, por isso é de grande valia o professor consultar um bom dicionário bíblico e secular, mapas geográficos e bíblias com outras traduções, para sanar possíveis objeções.
5. Objetivos: O professor após estudar a matéria deve determinar quais os objetivos e resultados que pretende transmitir e alcançar na vida do aluno, e a partir dessa meta, conduzir toda sua aula para o atingimento desse propósito.
6. Recursos: O professor deve separar todo recurso didático e pedagógico que pretende utilizar em aula como: jornais, mapas, dicionários, dinâmicas, flip chart, projetor de imagem, vídeo, livros entre outros.
7. Durabilidade: O professor deve separar no mínimo 2 horas por dia dedicadas exclusivamente ao estudo sistemático da palavra, para consagração e escolha dos recursos didáticos e pedagógicos que serão utilizados em sua aula.
8. Aplicabilidade: o professor deve escolher o método de aula que mais se encaixe no contexto da lição, e, por conseguinte, determinar o momento adequado que os recursos didático-pedagógico serão aplicados na aula.
9. Revisão: o professor deve revisar toda sua lição, verificando possíveis informações não vista, adequando métodos ou alterando recursos.
10. Direcionamento: a sintonia com Deus deve ser meta constante do professor deve, ele deve depender exclusivamente da sabedoria e discernimento de Deus, para que por intermédio da sua grandeza conduzir a sua aula com eficácia.
Estas são algumas dicas dentre centenas que existe, entretanto destacamos aquelas cuja importância é fundamental, portanto professor se você deseja ter crescimento e maturidade espiritual na vida de seus alunos, deve seguir com disciplinas estas recomendações, e acima de tudo ter a direção de Deus.
Autor: Jhunior Silva

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A ORAÇÃO DE JESUS POR TODOS OS SEUS – João 17.24-26

– Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.
– Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste.
– Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.
24 A oração aproxima-se do fim. Nesse momento, porém, ela também atinge seu majestoso clímax. ―Pai, aquilo que me deste. Jesus contempla agora todos os seus até o fim dos tempos. Ele vê a ―grande multidão… (Ap 7.9),o fruto maduro de sua obra. Por ser ela o ―salário de suas dores, a prece de Jesus pode tornar-se um ―quero: ―Quero que onde eu mesmo estou, estejam também comigo aqueles, para que vejam a minha glória. Por trás de toda oração genuína existe uma vontade clara. Quando uma pessoa que ora de fato não ―quer mais algo, sua oração se torna mera falação. Contudo, enquanto nós precisamos condicionar nosso querer, mesmo o mais puro, à vontade de Deus, prontos para o arrependimento, Jesus pode ter tanta certeza da unidade com Deus que pode afirmar: ―Pai, eu quero. O Filho tem a liberdade de dizer ao Pai o que ―quer com a máxima seriedade de seu amor. Ele não tem apenas um interesse temporário e instável pelos seus. Com amor pleno, ele ―quer a comunhão indissolúvel e completa com eles. Nesse querer ele tem a certeza de que essa é também a vontade incondicional do Pai. É para isso que o Pai lhe ―deu essas pessoas, separando-as do mundo. O que inicialmente era exigência a seus discípulos: ―Onde eu estou, ali estará também o meu servo (Jo 12.26), torna-se agora promessa de vida eterna: ―que, onde eu mesmo estou, estejam comigo também aqueles. É nessa situação que ―vêem a sua glória. Até o aperfeiçoamento na eternidade, o ser humano como criatura persiste na situação de não conseguir encontrar a vida e a alegria em si mesmo. O ser humano precisa ter algo para ―ver. Contudo, como tudo isso continua sendo transitório e precário! Estaremos eternamente realizados e repletos de alegria indizível (1Pe 1.8), quando virmos a glória de Jesus de forma desvelada, a glória que procede do amor eterno de Deus.
Isso não é algo completamente novo para os discípulos de Jesus! Já na sua vida atual vale o que diz Jo 1.14: ―Vimos sua glória. Porém, o que até agora não passava de um começo, torna-se cumprimento pleno. Nessa afirmação a glória de Jesus não é apenas um resplendor indefinido e brilhante. Jesus sentado à direita de Deus sobre o trono do mundo, Jesus retornando para arrebatar e aperfeiçoar sua igreja (1Ts 4.13-17), Jesus derrubando o poder mundial anticristão com o hálito de sua boca (2Ts 2.8; Ap 19.11-16), Jesus governando sacerdotalmente com os seus (Ap 20.4-6), Jesus realizando o juízo sobre o mundo (Ap 20.11-15), Jesus entregando ao Pai uma criação redimida após completar sua obra (1Co 15.28): tudo isso deve estar diante de nós quando Jesus diz: ―minha glória.
Contudo, tampouco o Filho possui essa glória em si mesmo como propriedade sua, e nem quer possuí-la dessa maneira. Somente a tem como uma glória ―que me conferiste. A razão, porém, para essa concessão por parte do Pai reside no Seu próprio amor: ―porque me amaste antes da fundação do mundo. Nesse último diálogo com o Pai o pensamento do Filho chega até aquele ―princípio com o qual o próprio evangelho começa em Jo 1.1. Nesse amor ele também estará abrigado quando o clamor do abandono por Deus em prol dos pecadores brota de seu coração.
25 Mais uma vez acrescenta-se um adjetivo ao singelo nome do Pai: ―Pai justo. Precisamente quando se fala do amor de Deus é preciso testemunhar que esse amor jamais se separa da ―justiça. O ―Pai justo rejeita o pecado de forma incondicional. Foi isso que ―o mundonão reconheceu, porque não quer conhecê-lo. A unidade de justiça e amor (e por isso também de ―amor e ―ira de Deus) permanece incompreensível para nós até que a reconheçamos na cruz de Jesus, para o nosso juízo e a nossa salvação. ―Pai justo, e o mundo não te reconheceu; eu, porém, te reconheci, e também esses reconheceram que tu me enviaste. Jesus ―reconheceu a Deus justamente no tocante à sua santidade, à sua ―justiça, que tornou a entrega do único Filho e sua exaltação na cruz necessária para satisfazer seu amor pelo mundo dos perdidos. Esse ―reconhecer por parte de Jesus não se limitou a uma contemplação teórica, mas o conduziu em todo o caminho da encarnação até a morte na cruz. Conseqüentemente, os discípulos por sua vez ―reconheceram o envio de Jesus justamente na cruz. É óbvio que com relação à palavra de Jesus em Jo 16.31s temos de afirmar: Jesus antecipa na oração o ―reconhecimento nos discípulos depois da cruz e ressurreição. Desde então, porém, isso não era uma mera teoria teológica para eles, mas transformou-os nas testemunhas que empenharam sua alma em prol de um mundo perdido.
26 Os discípulos não produzem esse ―reconhecer de si mesmos. Ele brota do ―fazer conhecer da parte de Jesus: ―E eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer. Como deve acontecer um ―reconhecimento genuíno, é novamente o ―nome de Deus que está sendo dado a conhecer (cf. o comentário ao v. 6). Os discípulos não apenas sabem ―que existe um Deus, mas têm o privilégio de saber como Deus se chama, ou seja, quem Deus é. Deus lhes foi ―apresentado e ―tornado conhecido. Tratam a Deus corretamente por Seu nome e por isso não falam com o vazio. A revelação que Jesus lhes trouxe não é mística e sentimental, mas uma palavra explícita. Ao acrescentar: ―e ainda o farei conhecer, Jesus pensa no fato de que, apesar de sua nitidez, o reconhecimento de Deus nunca é mera posse, pois o Deus vivo não é um objeto do mundo, do qual eu disponho tão logo o reconheça. Preciso que Jesus me apresente o nome de Deus constantemente, porque esse nome está ameaçado continuamente ameaçado de submergir no barulho do mundo e de ser obscurecido pela escuridão de meu próprio coração. Simultaneamente, o nome de Deus está carregado de uma riqueza tão infinita e de uma profundeza tão impossível de encerrar que o ―fazer conhecer é interminável. Cabe-nos lembrar também que esse ―fazer conhecer o nome de Deus prossegue no serviço apostólico dos discípulos e por isso Jesus o considera como sua própria obra futura nesse último diálogo com o Pai. Quando pessoas aceitam a fé por meio da palavra dos discípulos (v. 20), então o próprio Jesus tornou o nome do Pai conhecido nessa palavra.
A guinada, inicialmente surpreendente, dessa última palavra de oração de Jesus demonstra em seu término que se trata muito pouco de um reconhecimento teórico que posso obter teologicamente em livros. Jesus tornou conhecido o nome de Deus e continuará a divulgá-lo de modo mais amplo e profundo, ―a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja. Para o israelita, ―reconhecer e ―amar era coisas estreitamente ligadas. Empregava o termo ―conhecer para o amor conjugal (Gn 4.1; 4.17). Quando se ―reconhece alguém, acontecem ligações substanciais. Quando por meio de Jesus os discípulos reconhecem o ―nome do Pai, seu verdadeiro ser, então o amor com que Deus ama seu Filho também flui para o coração deles. Do mesmo modo, Jesus não permanece diante deles como ―Mestre, mas os ensina de tal modo que ele próprio entra neles e vive dentro deles. No entanto, isso não acontece por meio de uma fusão mística, mas pelo Espírito Santo. Jesus continua sendo uma pessoa e o Senhor. Os discípulos continuam sendo pessoas independentes, e, apesar disso, Cristo vive neles e determina todo o seu pensar, falar e agir.

A ORAÇÃO DE JESUS POR SEUS DISCÍPULOS FUTUROS – João 17.20-23

– Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra,
– a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles [um] em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.
22 – Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos:
– Eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.
20 Jesus não podia orar em favor do ―mundo como tal. Apesar disso, sua oração não se restringe ao pequeno grupo de seus discípulos, porque ―discípulos são ao mesmo tempo ―apóstolos, enviados para dentro do mundo. E, apesar de toda a rejeição e ódio, esse envio não será em vão. Os discípulos criarão fé por intermédio de sua proclamação! É esse grande acontecimento, que começará em Jerusalém e depois passará pela Judéia e Samaria até os confins da terra (At 1.8), que Jesus vê à sua frente na oração. Por isso ele prossegue: ―Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra. Então será encontrado o que Jesus procurou em Israel durante sua estada na terra, mas achou apenas em poucos: a fé que se entrega em confiança e obediência. Sobre essa fé vale o que Jesus disse em Jo 12.44: ―Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou. Essa ―fé em Jesus é verdadeira ―fé em Deus. A ―palavra dos discípulos será tão poderosa que criará esse tipo de fé.
21 As pessoas que vêm à fé por intermédio da palavra dos enviados, porém, não são pessoas isoladas que permanecem solitárias. Imediatamente elas se tornam ―igreja. Isso é tão básico que nem sequer precisa ser mencionado ou estabelecido como alvo dos crentes. Contudo, Jesus conhece nossa dificuldade para permanecermos num relacionamento verdadeiro uns com os outros, e como toda comunhão humana está constantemente ameaçada, inclusive a comunhão dos fiéis na ―igreja. Por isso sua intercessão pelo grande número de futuros discípulos dirige-se justamente à unidade dos seus. ―A fim de que sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. Jesus não considera a unidade organizacional, que pode ser mantida com instrumentos de poder. Mas tampouco se trata apenas de uma unidade de idéias afins ou uma coligação com base em sentimentos convergentes. Não, a unidade que Jesus pede para a igreja tem como paradigma e origem a unidade do Pai e do Filho no Espírito Santo. Essa unidade nos é continuamente demonstrada no agir e falar de Jesus. Ela é caracterizada pela liberdade e integralidade, mediante uma preservação nítida e intencional das diferenças. Jesus pode afirmar: ―Eu e o Pai somos um (Jo 10.30). Ainda assim o Filho continua sendo integralmente aquele que espera, roga e obedece, ao passo que o Pai é totalmente aquele que envia, ordena, atende e concede. Porém justamente nessa distinção vive o amor que une o Pai e o Filho. É assim que Jesus deseja a unidade de sua igreja. Ele vê diante de si a grande multidão dos que crêem, em plena multiformidade. Por isso ele diz que ―todos devem ser um. Esses ―todos podem e devem permanecer o que são, até mesmo nas suas diferentes espécies, maturidades, percepções. Porém é exatamente nessa diversidade que o amor atua, suprindo as carências de uns com os dons e as forças dos demais, gerando assim aquele ―edificar-se uns aos outros, ―consolar-se uns aos outros, ―exortar-se uns aos outros (Cl 3.16; 1Ts 4.18; 5.11) pelos quais ―vive a igreja.
Jesus tem um interesse tão intenso nessa unidade que roga mais uma vez por ela: ―A fim de que também eles sejam um em nós. O texto grego de Nestle não traz aqui a palavra ―um. Porém ela é apresentada pela Koiné, pelo Sinaiticus e outros manuscritos. Ele se torna imprescindível na seqüência da frase sobretudo após o ―também eles. Se o texto tivesse a intenção de afirmar que os discípulos ―estariam no Pai e no Filho por intermédio de sua unidade uns com os outros, a frase teria de ser simplesmente: ―a fim de que estejam em nós. Acontece, porém, que Jesus roga que ―também seus discípulos tenham a mesma unidade que liga o próprio Filho com o Pai. Ademais, Jesus acrescenta uma palavra breve, porém decisiva: a palavra ―em nós. Os discípulos jamais possuem essa unidade em si mesmos, em sua própria força de comunhão ou em seus laços de afeto pessoais. Somente ―em nós, como vides na videira, eles também possuirão a unidade uns com os outros. Desse modo, porém, eles também a possuem de fato.
Essa unidade não é importante apenas para os discípulos em si, mas possui um significado crucial para seu serviço. Ela se torna testemunho eficaz: ―para que o mundo creia que tu me enviaste. Quanta responsabilidade repousa, portanto, sobre a igreja de Jesus! O mundo anseia consciente e inconscientemente por unidade genuína, por comunhão real. Quando ele constata nos discípulos de Jesus que a unidade e a comunhão livre e plena estão sendo vividas com amor abnegado, a fé de que o Criador desse tipo de irmandade de fato é enviado por Deus pode irromper livremente no mundo. Inversamente, porém, toda a desunião dos discípulos dificulta a fé em Jesus. O envio de Jesus parece ser refutado quando a mesma desunião e o mesmo desamor que o mundo conhece de sobra predominam em Sua igreja.
Para que o mundo creia…, será que isso não contradiz o que foi dito em Jo 14.17,22; 15.18s; 17.9 a respeito da perdição incorrigível do mundo? Afinal, não é justamente nisso que o ―mundo jamais poderá ―crer? No entanto, a palavra ―o mundo não possui sentido estatístico, da mesma forma como a palavra ―todos na promessa de Jesus de que atrairia a ―todos para junto de si após a sua exaltação(cf. Jo 12.32). O que Jesus afirmou acerca do ―mundo permanece válido. Contudo, pessoas que são ―mundo chegam a crer em Jesus e desse modo pertencem aos que Jesus ―escolheu para fora do mundo. E isso realmente acontece ―em todo o mundo, de forma que a partir daí pode-se dizer, de forma sucinta, ―para que o mundo creia…
22 Para Jesus, a unidade dos seus é algo tão premente que ele não consegue desprender sua oração dela. Naturalmente não nos será fácil acompanhar agora de fato a Sua oração. Nesse momento, essa oração está unindo o que nos parece ser extremamente divergente. ―Eu mesmo lhes tenho transmitido a glória que me tens dado. A ―glória não é uma palavra do futuro distante? Não é justamente por isso que o Filho a pede como dádiva da perfeição vindoura dos seus, para que ―vejam a sua glória (v. 24)? E agora Jesus diz isso no pretérito perfeito: ele já concedeu essa glória aos discípulos. Porventura o futuro já é presente, para não obstante imediatamente continuar sendo futuro? É exatamente isto! E precisamente o Filho de Deus em oração é capaz de vê-lo desse modo. É verdade, ele lhes proferiu a palavra do Pai, ele os deixou ver o Pai nele mesmo. Ele os atraiu consigo para dentro do amor que liga Pai e Filho, Filho e Pai. Tudo isso é sua ―glória. De fato não a guardou para si, porém a ―transmitiu aos discípulos, ainda que neste momento nem sequer captem essa dádiva, e que a espelharão somente no decorrer de sua vida de discípulos com o rosto descoberto.
23 É precisamente essa glória concedida aos discípulos que gera a sua unidade: ―para que sejam um, como nós o somos: Eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade. A unidade não é um alvo ideal que os discípulos precisam alcançar com esforços próprios. Não lhes cabe primeiro ―criar a unidade. Pelo fato de que o Único está ―neles como seu Senhor e Redentor, a união nele já lhes foi presenteada. E pelo fato de que, por sua vez, o Pai está ―em Jesus, concretiza-se aquela ―unidade perfeita que une Deus e seres humanos em Jesus e viabiliza o alvo de toda a história: ―que Deus seja tudo em todos (1Co 15.28). Essa unidade com Deus, essa vida a partir de Deus e para Deus é ―a glória que o Pai concedeu ao Filho e que agora Jesus tornou a ―conceder a seus discípulos. Ela foi ―dada, está aí: a qualquer momento pode-se viver a partir dessa unidade perfeita. E ao mesmo tempo não deixa de ser o alvo da intercessão de Jesus, que se empenha pela unidade dos seus.
Também nesse instante o olhar do ―Redentor do mundo passa da condição dos próprios discípulos para o alvo de seu envio: ―para que o mundo reconheça que tu me enviaste. Contudo, essa unidade dos discípulos, que não é meramente unidade entre os humanos, mas união em Deus, não demonstra apenas o envio autorizado de Jesus, mas igualmente o amor do Pai aos discípulos. Jesus suplica pela unidade de seus discípulos também ―para que o mundo reconheça que os amaste (os discípulos), como também amaste a mim. Unicamente pessoas amadas por Deus são libertas, em razão dessa condição, do medo por si mesmas, e, conseqüentemente, são capazes de também amarem aos outros. Nas chamas do amor de Deus incendeia-se o verdadeiro amor entre os discípulos, o qual os congrega na unidade. E vice-versa: esse amor entre os discípulos torna o amor de Deus perceptível até mesmo aos olhos do mundo.

A INTERCESSÃO DE JESUS POR SEUS DISCÍPULOS – João 17.6-19

6 – Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra.
7 – Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti;
– porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste.
9 – É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus;
– ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado.
– Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós.
– Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
– Mas, agora, vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos.
14 – Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.
– Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.
16 – Eles não são do mundo, como também eu não sou.
– Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
– Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
– E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade.
Para si próprio Jesus pediu ao Pai que o glorificasse. Agora sua oração se volta para os discípulos e se torna uma intercessão por eles.
6/8 O que caracteriza seus discípulos? Por que Jesus consegue orar com convicção por eles? Por natureza são pessoas como todas as demais e fazem parte do ―mundo. Mas agora aconteceu algo com eles que os transforma completamente. São ―pessoas que me deste para fora do mundo. O Filho não é capaz de fazer nada por si próprio, nem mesmo transformar pessoas em discípulos. Somente pode acolher aqueles que o próprio Deus lhe dá. Sua ―escolha dos discípulos (Jo 15.16) está alicerçada sobre uma escolha de Deus. Por isso Jesus enfatiza: ―Pertencem a ti, e tu mos confiaste. No v. 9 ouviremos mais a esse respeito. Prevalece o que Jesus já afirmou com muita seriedade em Jo 6.37,44,65: somente os que o Pai lhe dá e por isso atrai para junto dele, vêm até ele. Porém agora Jesus pôde agir nessas pessoas que o Pai lhe encaminhou. ―Manifestei teu nome às pessoas. Para nós é penoso compreender corretamente todo o conteúdo, e também toda a alegria dessa declaração de Jesus. Será que há tanta importância no ―nome de Deus? Porventura um ―nome não é uma questão bastante exterior? Pode ser assim. Porém, também nós conhecemos essa situação, de que a um ―nome se associa todo o ser daquele que é portador desse nome. Quando dizemos ―Abraão ou ―Moisés ou ―Paulo, surge inicialmente toda uma realidade de vida. Conseqüentemente, também poderíamos traduzir a palavra da oração de Jesus por ―Eu lhes revelei a tua essência. O ―nome formula a essência. Em vista disso, o ―nome possibilita que tratemos ao outro como aquele que ele é. Conheço o outro e estou ligado a ele quando sei o seu ―nome.
Tudo isso vale de modo especial para Deus e para o nosso conhecimento de seu nome. O ―nome de Deus não está sob o controle de uma pessoa. A essência e a verdade de Deus estão ocultas para nós. Por isso, para Moisés não foi suficiente que Deus se apresentasse na sarça incandescente como ―o Deus dos pais, dando-lhe a incumbência de libertar o povo. Pelo seu bem e pelo bem do povo ele precisava saber o ―nome de Deus, a fim de poder confiar realmente Nele e invocá-lo corretamente. Naquele tempo Israel foi presenteado com o nome de ―Javé (―Jeová; Êx 3.13-15). Agora, porém, esse nome, que não tem mais importância no NT, não está mais em questão. Agora esse ―nome manifesto é o nome de Deus como Pai. Ele se tornou acessível aos discípulos na palavra que Jesus podia transmitir-lhes como a palavra do próprio Deus. A revelação do ―nome caracteriza a revelação como revelação da palavra. O Pai se manifesta no Filho não em experiências místicas inexprimíveis, mas na ―palavra inequívoca.
Em razão disso Jesus pode constata imediatamente o fruto de sua revelação: ―E eles têm guardado a tua palavra. Isto os capacitou a reconhecer por eles mesmos o aspecto crucial da revelação de Deus por meio de Jesus. ―Agora eles reconheceram que todas as coisas que me tens dado provêm de ti. Para Jesus, essa afirmação é tão grandiosa no diálogo com o Pai que ele a repete outra vez, com maior clareza. ―Porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e chegaram a crer que tu me enviaste. Justamente porque Deus ―deu as palavras a Jesus elas não são meras ―palavras, e sim ―rhemata, palavras eficazes e plenas de realidade. As pessoas que as ―aceitaram, chegaram a ―conhecer e a ―crer por meio delas. Captaram o envio de Jesus, motivo pelo qual conseguiram ver o próprio Pai naquele que ―saiu do Pai, e desse modo conhecer e dizer o seu ―nome. Não apenas ouviram uma pessoa que, como muitos antes e depois dele, tinha seus pensamentos sobre Deus e ensinava esses seus pensamentos. Não, ―agora eles reconheceram que todas as coisas que me tens dado provêm de ti. Jesus é o Revelador, que traz a realidade própria a Deus até as pessoas.
Entretanto, ao ouvirmos essas palavras de oração de Jesus cabe-nos superar ainda outra dificuldade. Com alegria, Jesus diz ao Pai o que realizou pela manifestação do Seu nome. Porém, será de fato assim? Será que seus discípulos realmente ―guardaram a sua palavra, a ―receberam e ―reconheceram e ―chegaram a crer? Não vemos até o final dos discursos de despedida (Jo 16.29-31) que Jesus não consegue considerar sua suposta fé como fé verdadeira? E a hora seguinte não há de mostrar que os discípulos de fato ainda não ―reconheceram e creram? É preciso que retornemos ao que explicitamos em relação a Jo 6.67-69. A atuação reveladora de Jesus não foi em vão. Crer e reconhecer na Páscoa e em Pentecostes somente foi possível porque já estavam fundamentados e haviam começado a germinar em todo o convívio de Jesus com os apóstolos. Diante de seu Pai, Jesus agora vê essa semente já desenvolvida, e olha para o futuro, como o fará expressamente no v. 20. Diante do Pai ele pode falar desse futuro como um acontecimento do passado. E aqui todos nós, que recebemos essas suas palavras por meio dos discípulos e igualmente chegamos a esse ―conhecimento verdadeiro e a essa ―fé bem definida, já estamos incluídos.
9/10 A oração de Jesus vale para pessoas nessa situação. Não pode valer para o mundo enquanto ―mundo. Jesus não pode orar por um mundo formado por uma multiformidade indefinida de pessoas. O Filho está vinculado ao Pai. ―É por eles que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Não foi ele que, com a magnitude de seu intelecto e sua arrebatadora força de persuasão, conquistou as pessoas pelas quais intercede nessa oração. O fato de que pessoas chegaram a Jesus e até esse momento permaneceram junto dele reside exclusivamente na dádiva de Deus. Esse ―dar acontece com liberdade divina. Deus dispõe das pessoas, elas ―são dele porque Ele é seu Criador. Mas precisamente nesse momento, numa oração dessas, Jesus precisa articular mais uma vez toda a unidade que o liga ao Pai de maneira bem real. ―Ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas. Aqui, ―vontade própria não é possível nem necessária. O Pai concede ao Filho com amor pleno. Mas o Filho não segura nada para si, porém alegremente coloca à disposição do Pai o que foi adquirido por meio de sua atuação. ―Todas as minhas coisas são tuas: essa não é o discurso de uma submissão forçada, e sim, do mais livre amor. ―As tuas coisas são minhas: essa não é uma afirmação reivindicatória. Quem fala é a gratidão que aceita a dádiva do amor que presenteia. Por isso, somente no relacionamento entre ―Pai e ―Filho reconhecemos o que é o amor verdadeiro e integral.
Precisamente desse modo as pessoas que o Pai concedeu a Jesus servem à glorificação deste. ―E sou glorificado neles. Essa glorificação de Jesus não se alicerça sobre a competência e grandiosidade dos discípulos. Não há nada para admirar nos discípulos como tais. Contudo, Jesus comprou ao preço da sua vida justamente pessoas tão imprestáveis, pervertidas e perdidas, introduzindo-as numa nova vida de fé e oração, amor e esperança. Ele é ―glorificado neles por meio desse seu poder misericordioso de Salvador.
11 Por que Jesus precisa interceder por eles? ―Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Jesus agora pode sair de todas as aflições, lutas e tribulações do mundo e ir para a glória junto do Pai. Os discípulos, porém, ainda não podem acompanhá-lo. Eles ―estão no mundo. Jesus sabe o que isso significa. O mundo é como um largo e forte rio cuja correnteza arrasta tudo incessantemente, cada vez mais para longe de Deus. Procedem também do mundo os intensos golpes com que o senhor do mundo tenta arrancar os fiéis de Deus. ―Estar no mundo significa ter de viver constantemente no seu ódio . Será que os discípulos não sucumbirão? Não fraquejarão (1Ts 3.3), deixando-se arrastar imperceptivelmente para longe de Deus? Nessa situação irrompe a prece de Jesus: ―Pai santo, guarda-o [ou: os] em teu nome, que me deste. Em vista de todo o poder do mundo e de seu príncipe, Jesus se conscientiza da santa magnitude e do poder de Deus. O Pai é o ―Santo que certamente é capaz de proteger os discípulos por meio de seu poder e sua glória divinos e superiores ao mundo. Como ―Pai santo, Ele também o fará por sua fidelidade, uma vez que deu essas pessoas ao Filho. Jesus roga que o Pai as ―guarde em seu nome. Não se trata de proteger contra aflição e sofrimentos. Tampouco de preservar seu bem-estar terreno ou sua vida passageira. Contudo, em todas as situações devem permanecer naquilo que o ―nome de Deus lhes revelou a respeito da essência, da verdade, do poder e da graça de Deus. Jesus suplica que seus discípulos preservem o ―nome de Deus também no fracasso, em derrotas, medo e tribulação, dessa maneira permanecendo apegados a Deus, porque Deus os segura.
Se a forma, inicialmente estranha para nós, estiver correta, então Jesus acrescentou ―que me deste a ―nome de Deus (no qual os discípulos devem ser guardados). Nesse caso, o presente texto também enfatiza que esse ―nome de Deus existe para nós unicamente porque Jesus no-lo manifestou. Ao fazê-lo, Jesus apenas passou adiante o que o Pai lhe dera. O Filho é o primeiro a quem Deus revelou sua natureza mais íntima e seu nome de Pai. Não se trata da expressão ―Pai como tal. Ela já fora usada no AT. Contudo, é significativo que ele use essa expressão apenas esparsa e predominantemente em palavras que apontam para o futuro. Aquilo que a verdadeira ―natureza de Deus como Pai encerra ficou manifesto no ―Filho. Por isso, tampouco podemos aprender o nome de Deus como Pai a partir das palavras de Jesus de forma apenas teórica, mas Jesus tem de no-lo ―revelar com todo o seu ser (v. 6), e o próprio Pai precisa nos ―guardar nesse seu nome.
Jesus acrescenta mais um aspecto à prece: ―Para que sejam um, assim como nós. Ao orar, Jesus contempla vivamente o que nós esquecemos em grande medida. Não se trata de discípulos isolados, solitários, que precisam ser guardados individualmente. Trata-se da irmandade dos seus, que se encontra sob o seu mandamento do amor (Jo 13.34; 15.12,17). No nome do Pai eles somente serão preservados se a sua unidade for mantida. ―Ser um, como nós vê essa unidade de forma bem íntima e livre, e justamente por isso firme e plena. Os v. 22s apresentarão esse fato mais uma vez.
12 Jesus olha outra vez para a transformação profunda na situação dos seus. ―Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, o qual (ou: os quais) me deste, e protegi[-os], e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. De forma alguma os Doze permaneceram naturalmente junto de Jesus durante esses anos. Em Jo 6.60-69 João nos mostrou como essa permanência estava ameaçada pelo ―duro discurso de Jesus e pelo insucesso cada vez mais patente à medida que todas as esperanças terrenas eram desfeitas por parte de Jesus. Jesus teve de ―guardar e ―proteger muito para que os Onze agora ainda estivessem ao seu redor.
Esse ―guardar não é algo que tem êxito por si mesmo. O Deus onipotente respeita a liberdade das pessoas. Isso fica claro no fato de que apesar de tudo um dos Doze se ―perdeu. Jesus não consegue orar pelos seus sem se lembrar desse um. Nem mesmo agora o mistério é solucionado por meio de uma fórmula que permitiria calcular a relação entre a atuação divina e a liberdade humana. Jesus tão somente aponta para dois fatos nesse terrível acontecimento com Judas. Judas era um ―filho da perdição. Da maneira como ―filhos da luz se deixam determinar pela luz (cf. Jo 12.36), assim Judas se deixou conduzir e moldar interiormente pelo destruidor e pela perdição. Foi por causa da liberdade pessoal e simultaneamente da necessidade interior (não exterior!) que o ―filho da perdição finalmente ―se perdeu. Por isso a sentença ―para que se cumprisse a Escritura jamais poderá significar que Judas foi forçado a fazer algo contra a sua vontade, apenas para o cumprimento formal da Escritura, tornando-se o destruidor de Jesus. A Escritura nunca se cumpre dessa forma mecânica! Essa palavra de Jesus não pode ser entendida diferentemente de Jo 13.18. Mesmo o fato mais incompreensível e terrível é abarcado pelo conhecimento e pela regência de Deus, e por isso já fora previsto na Escritura.
13 Existe a possibilidade da queda, que não pode ser evitada automaticamente por nenhum ―guardar. A trajetória dos discípulos pelo mundo é difícil e cheia de provações. Ela não se tornará, então, uma vida de constante medo e preocupação que os discípulos de Jesus precisam viver, até mesmo quando o último refúgio é a fidelidade de Deus? Jesus o vê de maneira diferente. ―Mas, agora, vou para junto de ti e isso falo no mundo para que eles tenham minha alegria perfeita em si mesmos. Novamente Jesus não diz: ―Mas agora tenho de morrer, mas ele vê em seu caminho a ida até o Pai. No entanto, sua despedida não é apressada, despreocupada a respeito dos que são deixados para trás. Não, ―Jesus fala isso no mundo, estando plenamente no mundo e em seu domínio. Os discípulos podem ver no seu exemplo que ―estar no mundo não apaga a alegria de seu Senhor. Assim como ele lhes ―deixou a sua paz (Jo 14.27), assim ele lhes está legando também a ―sua alegria, como algo que podem levar consigo. Considerando que a instrução apostólica leva a alegria muito a sério e a transforma numa característica essencial da filiação divina e da atuação do Espírito Santo, os apóstolos a aprenderam e receberam do próprio Jesus. Não apenas com esforço e apesar das circunstâncias: um clarão de alegria deve cobrir os discípulos. É de forma ―perfeita que eles devem ―ter sua alegria em si mesmos. Jesus não está falando da alegria natural dos discípulos. A ―nossa alegria desfalece rapidamente. Jesus se refere à alegria ―dele, que não se desfaz nem mesmo agora diante de toda a gravidade da trajetória da cruz. Os discípulos ―terão perfeita em si mesmos essa ―alegria dele.
14/15 Mais uma vez Jesus apresenta a situação dos discípulos ao Pai. ―Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo lançou seu ódio sobre eles, porque não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Quando a palavra de Deus é concedida e de fato recebida e acolhida, surgem pessoas que já não ―são do mundo, mas pertencem essencialmente a Deus. Nisso são semelhantes ao Filho, que declara a respeito de si: ―como também eu não sou do mundo. A marca inevitável e inextinguível desse fato é o ―ódio que ―o mundo lançou sobre eles. Essa é a realidade dos discípulos, simplesmente porque até esse ponto são discípulos de Jesus. Contudo, agora se torna decisivo que tipo de conseqüências Jesus reconhece na situação dos seus e que pedido ele dirige ao Pai a partir disso. ―Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. O fato de que Jesus precisa dizer exatamente o que não pede revela o quanto essa súplica estava à flor da pele. Será que os discípulos não poderiam ser poupados da aflição, que não é brincadeira, antes traz dentro de si a tentação para renegar a Jesus? Para isso eles teriam de ser tirados do mundo, no qual justamente precisam entrar, para que a mensagem salvadora chegue às pessoas. O Filho, que empenha sua alma pessoalmente em seu envio, de forma alguma pode solicitar ao Pai ―que os (tire) do mundo. Contudo pode e precisa suplicar ao Pai ―que os (guarde) do mal. No texto grego não se pode distinguir se Jesus tem em mente ―o mal, ―o maligno, ou ―o mau, porém Jesus não emprega a palavra que Paulo usa em Rm 12.21 para ―o mal. Em contrapartida, ―ponerós = ―mau é usado por Jesus na sétima prece do Pai Nosso e por Paulo em 2Ts 3.3, com nítida referência ao ―mau, ao diabo. João usa esse termo com plena clareza nessa acepção em 1Jo 2.13. Conseqüentemente, nessa súplica ao Pai Jesus também deve estar vendo ―o mau como ―dominador por trás do ―mundo com seu ―ódio, cujo alvo é que os discípulos neguem a fé sob a pressão da perseguição e do sofrimento. Diante ―do mau, e por isso da queda, o Pai poderá ―guardar os discípulos.
16/17 No entanto, não se trata apenas da ―proteção do mal. A vida dos discípulos também precisa ser desenvolvida em termos positivos. Essa configuração e realização positiva da vida significam ―santificação. O fundamento dela foi lançado na nova existência que separa os discípulos do ―mundo. ―Eles não são do mundo, como também eu não sou. Sobre esse fundamento é possível rogar, e agora Jesus solicita: ―Santifica-os na verdade. Ele não espera de seus discípulos que eles mesmos se santifiquem por não serem do mundo. Rogou ao Pai pela santificação deles, da qual precisam tanto para sua própria vida quanto para seu serviço no mundo. A santificação é obra de Deus, porque ele é o ―Pai santo. A palavra ―santo faz parte daqueles termos básicos, que não conseguimos explicar com outras palavras, mas apenas captar diretamente a partir de si mesmos por nossa experiência pessoal interior. Não poderemos de forma alguma explicar o que é ―santo a uma pessoa que nunca se deparou com o ―Santo. Toda pessoa, porém, que se confrontou com Deus, possui no mínimo uma noção do motivo por quê os serafins, em incansável adoração, chamam Deus de ―três vezes santo (Is 6.3). Quando, pois, os discípulos de Jesus devem ser ―santificados na verdade, visa-se seriamente que eles não apenas sejam ―boas pessoas, mas que se revistam da santidade e do brilho de Deus. É por isso que eles não são capazes de realmente ―santificar-se pessoalmente. Unicamente o Pai santo pode realizar a ―santidade neles. Por isso Jesus pede isso Dele.
A santificação dos discípulos acontece, pois, ―na verdade. Como em todas as ocorrências no presente evangelho, verdade é a realidade essencial divina. Os discípulos devem possuir não apenas um certo brilho e aspecto de ―santidade, mas a santificação deve penetrar genuína e profundamente em sua vida e em seu ser. Quando Jesus acrescenta: ―Tua palavra é a verdade, ele não diz somente que a palavra de Deus não nos engana e que é correta e confiável mesmo na forma da palavra escrita. Jesus diz mais. A palavra, proferida vivamente por Deus, não é apenas ―palavra, mas carrega em si a natureza divina e a energia divina. Por isso o ser humano pode ―viver dessa palavra. E por essa razão a santificação dos discípulos na verdade também acontece por meio da ―palavra. A ―palavra como ―verdade também torna nosso ser e nossa vida ―verdadeiros, essenciais, direcionados para a realidade de Deus e, por isso, santos.
18 Agora os discípulos estão capacitados para serem enviados ao mundo. Um mensageiro que possui apenas ―palavras, sem que sua natureza seja também testemunha, não ajuda em nada. O envio dos discípulos corresponde também ao nosso envio pelo próprio Jesus. O mundo somente poderia obter ajuda através daquele que era Filho de Deus por essência e por isso realmente o pão, a água, a porta, o caminho, a vida e a ressurreição para pessoas famintas, sedentas, inquietas e moribundas. ―Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. O ―como no início da palavra de Jesus deve ser levado muito a sério e tem aqui uma conotação causal. O envio dos discípulos corresponde ao envio de Jesus e tem seu fundamento no mesmo Na prática, dá prosseguimento a ele e leva o amor redentor do Pai no Filho para dentro do mundo.
19 Jesus os capacita para esse envio por meio da santificação que prepara para eles. Filho e Pai agem novamente com espírito unânime. O Filho pediu ao Pai a santificação dos discípulos na verdade. Mas o Filho não é espectador passivo no cumprimento de seu pedido. ―E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. O ―e no início da frase revela a relação da santificação com o envio. ―E justamente por eles, os quais enviei, por eles, porque eu os enviei, eu me santifico a mim mesmo. Seus discípulos não podem santificar-se pessoalmente. Jesus é capaz de fazê-lo, e ele o faz justamente agora em seu caminho de sofrimento. Ao honrar o Pai de forma tão integral, ao amá-lo tão cabalmente e entregar toda a sua existência e obra da vida inteira a Deus, ele se torna o Filho santo do Pai santo. Perante o mundo, o mundo devoto de Israel, Jesus aparece como blasfemo, banido e maldito. Na verdade, porém, justamente agora na cruz torna-se realidade perfeita o que Pedro reconheceu e declarou na hora decisiva: ―Tu és o Santo de Deus (Jo 6.69). Jesus conta com a circunstância de que, como Crucificado, também envolve os seus nessa ―santificação, ―para que eles também sejam santificados na verdade.
Santificados na verdade, pertencer a Deus ―na verdade e viver para Deus: esse era o objetivo final de Jesus. Sua luta, que lhe rendeu a cruz, dirigia-se contra a ―hipocrisia que destruiu Israel. Um ―culto a Deus que se transformara em ―negócio, uma ―casa de Deus que se tornara ―casa de comércio (Jo 2.14-16), devotos líderes que, não obstante, sãoincapazes de crer porque são ávidos de honra (Jo 5.44), discípulos de Moisés que são denunciados pelo próprio (Jo 4.45), filhos de Abraão que se tornaram filhos do diabo (Jo 8.37-44) – incansavelmente, Jesus desvendava essa terrível deturpação e falsificação por meio de sua palavra e de seu ser. Agora tudo depende de que seus discípulos e emissários não sejam reféns da mesma falsidade, mas que ―sejam santificadas na verdade.